Em Diálogo em Mondorf-les-Bains

No âmbito da série de encontros de debate organizados pelo DP em todo o país, o círculo eleitoral do Leste convidou os cidadãos para o Bierger- a Kulturhaus, em Mondorf-les-Bains, na terça-feira, 27 de outubro de 2026. O Vice-Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Xavier Bettel, o Ministro da Economia, Lex Delles, a presidente do partido, deputada e presidente da Câmara Municipal, Carole Hartmann, e o presidente do grupo parlamentar, Gilles Baum, responderam às perguntas dos cidadãos. O encontro foi moderado por Hugo Da Costa, dos Jovens Democratas.

Levar as preocupações das pessoas a sério, ouvir e dar respostas. Para Xavier Bettel, o diálogo com os cidadãos é indispensável, sobretudo numa altura em que as tendências políticas extremistas estão a ganhar terreno.

“Não devemos procurar convencer pela lei do mais forte, mas pela força dos argumentos. E esse será sempre o nosso princípio orientador: respeitar o facto de terem uma opinião diferente, mas também tentar convencer-vos.” – Xavier Bettel

Proteger o poder de compra, reforçar a independência

Lex Delles destacou a tripartida como um dos pontos fortes do modelo luxemburguês. O Governo, as entidades patronais e os sindicatos procuram em conjunto soluções para apoiar as famílias e as empresas em períodos difíceis. Os apoios aos custos da energia destinam-se a atenuar os efeitos da subida dos preços e a preservar o poder de compra. Só este ano, o Estado está a investir 150 milhões de euros para suportar os custos da rede elétrica.

Ao mesmo tempo, o Luxemburgo deve reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis. A expansão da energia solar fotovoltaica, eólica e hidroelétrica, uma melhor interligação das redes elétricas europeias e o desenvolvimento de capacidades de armazenamento permitiriam ao país gerir o seu abastecimento energético de forma mais independente. Os cidadãos também devem ter a oportunidade de participar na transição energética. Medidas como o pré-financiamento dos apoios devem garantir que essa participação não dependa da capacidade financeira de cada um.

Para Lex Delles, as pequenas e médias empresas desempenham um papel central no emprego e na inovação. O Luxemburgo deve proporcionar às empresas um enquadramento estável e ajudá-las a desenvolver de forma consistente os seus pontos fortes. Como exemplos, o Ministro da Economia e da Energia referiu o Space Campus, com infraestruturas de teste e uma incubadora para jovens empresas, bem como a condução autónoma e os investimentos em supercomputadores.

Uma pergunta do público abordou a escassez de mão de obra qualificada. O ministro identificou três prioridades: formar talentos no próprio país, reter profissionais qualificados e atrair de forma direcionada competências adicionais. No entanto, esta questão está longe de se limitar às profissões tecnológicas altamente especializadas.

“A profissão de eletricista é uma das que enfrentam uma grande escassez de profissionais no Luxemburgo. Os mecânicos e os técnicos de mecatrónica são profissionais de áreas em que temos muito mais vagas por preencher do que pessoas que conseguimos formar ou encontrar.” – Lex Delles

As condições de trabalho nas empresas também foram abordadas. Em resposta a uma pergunta sobre os viticultores e o trabalho sazonal, Carole Hartmann defendeu um maior acompanhamento e prevenção por parte da Inspeção do Trabalho e das Minas (ITM). A legislação laboral deve aplicar-se a todas as empresas. Ao mesmo tempo, as pequenas e médias empresas necessitam de apoio prático. Horários de trabalho mais flexíveis devem ser possíveis mediante acordo entre trabalhadores e empregadores, sem que ninguém seja obrigado a trabalhar mais horas.

Tornar a habitação e os cuidados de saúde mais acessíveis

Gilles Baum sublinhou a importância social e económica da construção de habitações. Os programas de aquisição de imóveis pelo Estado ajudam a concretizar projetos e a aumentar o parque habitacional público. Além disso, os apoios destinados a compradores, arrendatários e investidores contribuem para sustentar o mercado imobiliário.

Para os arrendatários, destacou, entre outras medidas, a partilha dos custos das agências imobiliárias, a limitação da caução a dois meses de renda e o subsídio de renda. Demasiadas pessoas continuam a não solicitar os apoios a que têm direito. Por isso, é necessário simplificar o acesso a estas prestações.

Carole Hartmann defendeu uma oferta de cuidados médicos mais rápida e próxima dos pacientes. Para além de hospitais eficientes, são necessárias mais possibilidades de realização de exames de diagnóstico e de determinados tratamentos em consultórios médicos e estruturas de ambulatório. Isto é particularmente importante para as cidades e aldeias do leste do país. Uma oferta de cuidados mais descentralizada deverá permitir reduzir as deslocações e os tempos de espera.

Mais liberdade e maior apoio às famílias

Para Carole Hartmann, a classe fiscal única, que será introduzida a 1 de janeiro de 2028, é, acima de tudo, uma questão de justiça e liberdade individual. A tributação não deve continuar a depender do estado civil. Quer se seja casado, solteiro ou se tenha passado por uma situação difícil na vida, todas as pessoas devem ser tratadas segundo as mesmas regras, mantendo-se a tabela progressiva do imposto sobre o rendimento.

A reforma fiscal será acompanhada de um reforço do apoio às famílias. As crianças de agregados familiares que não pagam imposto sobre o rendimento também devem beneficiar da política familiar. O aumento dos abonos de família, os apoios adicionais às famílias com baixos rendimentos e a reforma dos chèques-services complementar-se-ão mutuamente.

“Não se deve julgar fiscalmente uma pessoa com base na sua situação pessoal. Da mesma forma, o apoio às crianças deve chegar verdadeiramente a todos. É por isso que nós, no DP, defendemos que a política fiscal e a política familiar devem ser separadas.” – Carole Hartmann

Neste contexto, Gilles Baum destacou o plano de ação de combate à pobreza e a simplificação das prestações sociais. Com a integração destes apoios, deverá ser suficiente apresentar um único pedido, mantendo-se o apoio enquanto os critérios de elegibilidade continuarem a ser cumpridos.

“O apoio tem de chegar a quem dele necessita. Um exemplo: apenas 27% das pessoas que têm direito ao subsídio de renda o solicitam efetivamente.” – Gilles Baum

Solidariedade para além das fronteiras

Em resposta a uma pergunta sobre a guerra na Ucrânia, Xavier Bettel deixou claro que as dificuldades económicas não devem conduzir a uma diminuição da solidariedade. Para ilustrar esta posição, evocou a história do Luxemburgo.

“Quero apenas recordar que temos em Hamm um cemitério com 3.000 jovens que morreram pela minha liberdade. Não é preciso ser vizinho para defender o Estado de direito. Um país pequeno como o Luxemburgo só pode existir se o direito internacional for respeitado.” – Xavier Bettel

Ao mesmo tempo, o chefe da diplomacia luxemburguesa sublinhou a importância do diálogo. Acolheria favoravelmente qualquer iniciativa diplomática que aproximasse a possibilidade de um cessar-fogo e da paz. Acima de tudo, trata-se das pessoas na Ucrânia e da sua oportunidade de viver em liberdade e segurança.

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